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A crise do cometa



Ouvi dizer que um cometa de nome bem difícil vai passar pertinho da Terra amanhã. Pertinho é charme, são 21 milhões de quilômetros de distância da Terra, o menor valor de distância já registrado na história. Não sei em que isso muda minha vida, ou a sua (Sou de humanas). O fato é que coisas estão girando o tempo todo. Coisas estão ficando mais perto umas das outras, ou se afastando rapidamente. O lugar onde estamos hoje é consequência de coisas que aconteceram à nós. Segunda lei de Newton, amor: a força aplicada em um corpo tem total relação com a mudança na velocidade sofrida por ele. Tô parecendo até intelectual de exatas falando assim, mas foi um belo googão. ♥

Isso significa algo bem importante: estamos vivos. Piscamos os olhos, coçamos a mão e "me belisca pra eu ver que eu não tô sonhando". Ação e reação. A gente funciona. Não somos passivos. Somos uma massa grande de neurônios, pele, sistemas e coração. Ah, esse danado desse coração. Às vezes penso em processar o fabricante. Desconfio que o meu foi colocado no lugar errado. Às vezes está na cabeça, às vezes nos pés. Coitada de mim, sempre refém desse músculozinho safado. 

O cometa que passa amanhã pertinho da Terra se cham1P/Tuttle-Giacobini-Kresak. Você não pode viver sem saber disso, haha. Li na Exame que ele dá uma volta completa no Sol a cada cinco anos e meio e quem estiver no Hemisfério Norte poderá ver a atração de binóculos ou telescópio. Enquanto escrevo esse texto penso que a vida está passando depressa. Da próxima vez que Kresak passar por aqui estarei beirando os 30 - olha só onde o pensamento em um cometazinho de Júpiter me trouxe. Pega a doida!

Já que a crise do cometa apareceu repentinamente por aqui, resolvi listar mentalmente coisas que quero fazer até a próxima passagem do nosso amigo. Incluo aqui fazer uma grande viagem sozinha, de preferência a um lugar que não conheço. E mesmo não me considerando um ser humano aventureiro, também quero acampar num lugar alto onde seja possível ver as estrelas. Não é necessário companhia. Nunca é. O pré requisito pra fazer dessa viagem um passeio interessante é simplesmente viver, sem exigências. Espero que nos próximos cinco anos e meio eu também não tenha desistido de continuar tentando correr. Que eu tenha feito muito mais coisas que imaginei. Que novas pessoas tenham entrado na minha vida, e que as essenciais tenham permanecido comigo. (Em breve descobriremos quem são).

Espero que na próxima vinda do cometa Kresak eu não sinta vontade de pegar uma carona com ele.

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