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Ninguém merece um amor mais ou menos. Nem eu, que já tenho um.

Foto: Pinterest/Brandy Melville


Hoje é mais um daqueles dias que você sai e eu não sei pra onde. Sem recado no guardanapo, sem mensagem na caixa postal. É uma daquelas longas e arrastadas horas em que você vai e eu fico. Sozinha, para variar. E nem parece que mora mais alguém aqui comigo. É como se eu estivesse dividindo o apartamento com alguém que às vezes aparece, mas que paga em dia a sua parte, pelo menos. Tipo a Priscila que morou comigo no 310. Você é a minha nova Priscila.

(só que a gente divide um status no facebook).

Ainda pergunto pra mim mesma porque eu ainda fico. Porque eu não sumo sem avisar também. Porque eu não pago na mesma moeda. Você pagaria? Aliás, não custa perguntar: o que aconteceria se fosse eu, aí desse lado em que você está agora? Chegando quando você já estivesse dormindo, saindo pra almoçar e voltando às dez da noite, curtindo noites, domingos e feriados com pessoas que você nem sabe quem são - mas que aparentemente me fazem mais felizes do que você.

Fica a interrogação.

Ontem quando você fechou a porta do lado de fora, abri a minha lista de desejos. E fiquei sem saber se escrevia seu nome nela. Não sei o que exatamente dói menos num caso desses. Ser só dói, mas ser só com alguém que nunca aparece é mais agonizante ainda. E já que estou sozinha mesmo, me reservo o direito de votar por você.

Você que, de vez em quando, aparece. Que faz declarações de amor de mentira pra mim. Porque continuamos adiando a sua saída oficial? Me faça esse favor: vá embora de vez. Ninguém merece um amor mais ou menos. Ninguém merece fantasmas: pessoas que às vezes passam por aqui. Ninguém merece ser feliz só no porta-retrato. Qual a nossa última foto juntos? Ninguém merece estar com alguém que simplesmente não quer estar. (Que prova com a ausência, mas não admite). A diferença entre você e um covarde é que você tem acesso à toalha que larguei molhada em cima da cama. Ninguém merece saber da vida do outro pelos outros. Tem outros demais na nossa história. O mais engraçado é que tempos atrás, essa seria a história de qualquer outra pessoa, da qual nós dois tiraríamos sarro.

<<essa é a nossa história agora>>

Estive pensando em todas as coisas que eu perdi de você. Por ordem de prioridade listei assim: 

tempo
presença
e contato. ( f í s i c o ). 

E de todos os tipos de solidão, esse é o que mais me parece triste. Um meio termo. Alguém que não decide a vida que quer ter. Guardei algumas anotações debaixo do meu travesseiro e reguei com alguma coisa que escorreu de mim sem querer. Na falta de ser saudade, chamei de tristeza, mas pode ser decepção também. Eu coloquei tanta fé na gente, que me sinto aquele apostador idiota que dedica todas as fichas em uma coisa só.

E hoje a coisa só sou eu.

Comentários

  1. Aquele texto incrível, que deixa você sem palavras e te faz dar um reflitam sobre a vida. Eita que coisa linda <3

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  2. Eita meu Deus ��

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