Pular para o conteúdo principal

Estou embarcando sem data pra voltar

Foto encontrada em Tumblr

Minha caixa de entrada está cheia. Trinta e oito mensagens, ao total. Excesso de você. Hoje é dia de esvaziar. Já faz dias que queria te dizer: Parte das suas tardias declarações de amor terão, enfim, um destino final, assim como o pouco que sobrou do nosso amor. Você me escreveu mil e uma palavras que eu nunca li. Chegaram tarde demais. Chegaram quando eu não precisava mais ouvir. Quando eu já dizia para mim mesma tudo que você não me disse enquanto eu estava abraçada a você.

Até chorei com aquele poema, em que você contou há quantas horas estava sem dormir pensando em mim. Tarde demais, me desculpe dizer. E espero que passe. Assim como passou pra mim. Tivemos tanto tempo pra nos declarar e amar, e só agora, depois de um cartão de embarque e das minhas malas esperando na garagem, você vem falar de amor. Aquela cena boba de novela em que alguém deixa o avião decolar para voltar para um amor repetido não vai acontecer hoje.

Estou escolhendo ir. E estou porque já fiquei demais. Porque já fiquei muitas vezes. Pequenas prestações de um amor dividido no cartão de crédito, com rasos prazos de validade. Sinto muito, não quero mais. Não aceito mais pagar uma conta tão alta de sorrisos com data para acabar. Deixo de saldo a chave debaixo do tapete para que você entenda que mensagens depois do fim não têm mais efeito sobre um coração cansado de se remendar.

Diga por onde passar por aí que o mundo está perdendo tempo em não se declarar. Que um post-it na geladeira, um recadinho no criado mudo ou uma ligação no meio da tarde funciona sim. As pessoas precisam saber que amor não regado, morre. Que amor acaba sim. Que finais não são sempre felizes, porque os fins guardam saudade e pontos finais. E não existe amor em alguns pontos finais. Por enquanto, não no nosso. Diga por onde passar que a gente não deve esperar uma ocasião especial para dizer coisas bonitas. E que "eu te amo" pode ser dito, cantado e repetido infinitas vezes, em altas dosagens. Ninguém nunca morreu de amor, até onde sei.

Estou embarcando. Sem data pra voltar. E talvez não volte nunca. Faz uns dois meses que te deixei um bilhete dentro daquele livro que você gosta, mas acho que ele está velho demais pra você achá-lo agora. Tudo bem. Ele diz exatamente isso: "Eu amo o seu primeiro sorriso sonolento do dia. E agora são 7h15, quando você sorriu pra mim. Tenha um bom dia".

Comentários

Mais lidas

A crise do cometa

Tumblr: My name is Caroline

Ouvi dizer que um cometa de nome bem difícil vai passar pertinho da Terra amanhã. Pertinho é charme, são 21 milhões de quilômetros de distância da Terra, o menor valor de distância já registrado na história. Não sei em que isso muda minha vida, ou a sua (Sou de humanas). O fato é que coisas estão girando o tempo todo. Coisas estão ficando mais perto umas das outras, ou se afastando rapidamente. O lugar onde estamos hoje é consequência de coisas que aconteceram à nós. Segunda lei de Newton, amor: a força aplicada em um corpo tem total relação com a mudança na velocidade sofrida por ele. Tô parecendo até intelectual de exatas falando assim, mas foi um belo googão. ♥
Isso significa algo bem importante: estamos vivos. Piscamos os olhos, coçamos a mão e "me belisca pra eu ver que eu não tô sonhando". Ação e reação. A gente funciona. Não somos passivos. Somos uma massa grande de neurônios, pele, sistemas e coração. Ah, esse danado desse coração. Às vezes…

20 semanas: chegamos na metade

Finalmente chegamos na metade da gestação. E quando penso nisso, vejo um reloginho me lembrando que logo logo seremos três em casa. Que logo logo, fraldas, lencinhos e chupetas vão se tornar acessórios obrigatórios na minha bolsa. Que logo logo, o cantinho que eu havia programado para ser meu escritório vai dar lugar a um lindo quarto de bebê. Que daqui a algum tempo, eu vou tropeçar em brinquedos. Que haverá mais um homem em casa. 
Tudo parece assustador e delicioso ao mesmo tempo. Tenho vontade de chorar e de rir. E em algumas ocasiões, não sei como diferenciar uma coisa de outra.
Esta semana eu passei dos limites nas comilanças. Comecei esticando de um chá de fraldas (de um amiguinho do Joaquim) para um aniversário. Nunca comi tanta bobagem e tomei tanto refrigerante de uma vez na vida. E na volta pra casa, a cada semáforo fechado, minha consciência ficava tão pesada quanto a minha barriga. #envergonhada
Minha mãe começou a fazer cueirinhos, toalhinhas de fralda e paninhos de chup…

Ainda cabe você aqui dentro

Foto: Pinterest


Às vezes perco o tempo de vista imaginando como seria ganhar um sorriso seu. Confesso, voltar aqui é arrancar e sentir arder um pedaço de mim que ainda está em carne viva, mas que eu consigo disfarçar bem. Eu sempre achei que soubesse que saudade dói. E sabe... eu subestimei essa mulher. Que pena que não posso me desculpar, tomar um analgésico e fazer todo o resto desaparecer. 
Coisas aconteceram. Coisas deixaram aquele meu músculo preferido em frangalhos. Coisas não param de rebobinar na minha cabeça. Cenas do nosso amor interrompido. Não por vontade minha. Como poderia? Quem dera tudo se resumisse apenas a coisas, e não a pessoas. É mais fácil sofrer por bobagens.
Tempos atrás, muito antes de você, perdi meu moletom preferido. Um vermelho, quase duas vezes maior que eu, com um coração amarelo estampado bem no meio. Achei que fosse o fim da minha vida abrir a gaveta e não saber onde coloquei. Passei semanas remoendo isso dentro de casa. E como é fácil sofrer por beste…