Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de Novembro, 2016

O amor cabe em qualquer fachada

Oi amor. Ainda posso te chamar assim? É a força do hábito, pois é. Algumas coisas saem da gente, outras não. E hoje eu vim falar sobre você que está saindo da minha vida. Aos poucos. Dia após dia estamos esvaziando um lado do armário e do coração. É tão natural não é? Acontece nas melhores famílias. Vamos pensar que sim. Quem precisa morrer por isso? É a vida, afinal, com seus embarques e despedidas, como sempre. Nem me surpreendo mais. E é isso que me deixa mais surpresa nessa história toda. Essa injeção de "tudo bem" que digo pra mim mesma a cada minuto em que a gente se distancia mais.
Desculpa te incomodar. Sei que você deve estar fazendo algo importante agora. Pelo menos não está fazendo do outro lado do sofá. Vamos combinar: a pior ausência vem com uma presença morta e enfeitada do lado. Alguém que finge estar, mas nunca aparece. E desculpa a honestidade, mas essa é a última versão de você. Um apartamento dividido, boletos do condomínio para pagar, a parede da sala pa…

Há quem diga que não vai dar certo

Eu vivo sumindo, percebeu? Acho que não. Você também faz isso, e faz muito bem. Juntos ocupamos um espaço imenso chamado: o vazio do coração do outro. Somos a capa de um livro esquecido nos fundos empoeirados da estante daquela sala que ninguém entra. E graças a Deus que não. Difícil explicar a bagunça que a gente é. Protagonistas figurantes daquele amor totalmente sem chances de vingar, para quem insisto em voltar de tempos em tempos. E assim comemoramos uns mil e tantos dias de vais, vens, vírgulas e fins. 
Você bate na porta, eu abro. E o resto das nossas linhas, a gente escreve em silêncio, quase sempre sem ninguém saber. Eu vivo sumindo, e acho que tenho medo de que um dia eu me encontre em alguma esquina de você. Quem me vê pelos cantos, pedindo mais uma dose de qualquer coisa com álcool pensa que ando sem ter para quem voltar. Acontece que eu sempre tenho você pra voltar. E sempre volto quando canso de mim. Quando canso de voar. Quando canso de fingir de ser só. E você me tem …

Estou embarcando sem data pra voltar

Minha caixa de entrada está cheia. Trinta e oito mensagens, ao total. Excesso de você. Hoje é dia de esvaziar. Já faz dias que queria te dizer: Parte das suas tardias declarações de amor terão, enfim, um destino final, assim como o pouco que sobrou do nosso amor. Você me escreveu mil e uma palavras que eu nunca li. Chegaram tarde demais. Chegaram quando eu não precisava mais ouvir. Quando eu já dizia para mim mesma tudo que você não me disse enquanto eu estava abraçada a você.
Até chorei com aquele poema, em que você contou há quantas horas estava sem dormir pensando em mim. Tarde demais, me desculpe dizer. E espero que passe. Assim como passou pra mim. Tivemos tanto tempo pra nos declarar e amar, e só agora, depois de um cartão de embarque e das minhas malas esperando na garagem, você vem falar de amor. Aquela cena boba de novela em que alguém deixa o avião decolar para voltar para um amor repetido não vai acontecer hoje.
Estou escolhendo ir. E estou porque já fiquei demais. Porque …