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Mude o trajeto

Reprodução: Pinterest

Há um tempinho, li um texto incrível da talentosíssima Fernanda Probst, e por esses dias me peguei refletindo um bocado sobre ele. O texto fala sobre  escolher dar um passo que parece duvidoso, mas que, apesar de arriscado, é o que nosso coração quer. Mudar o percurso. Pegar a contramão. Trocar o trajeto. A gente tem a mania de querer estar seguro. Sempre. E que mal há nisso, afinal? Um coração cansado às vezes só quer terra firme para se ancorar. O problema é que estar seguro nem sempre é estar feliz.

Nunca tive um espírito muito aventureiro. Quem me conhece, sabe: Sou do tipo que gosta de calmaria. E para os tipos como eu, matar a saudade é sempre dormir na própria cama, vestindo o pijama de sempre e, se possível, aquele cobertor que já tem o desenho do nosso corpo. Gosto de terra firme. Nasci meio presa ao chão, e por ser meio assim, qualquer desvio na rotina já é um tremor de terra. As escalas é que mudam.

Sempre fui muito metódica. O tipo de pessoa que pensa muito no futuro e às vezes esquece de se achar de novo no tempo. A cabeça calcula demais antes de fazer. Algumas vezes, isso me rendeu uma tranquilidade que poucas pessoas tinham. Em outras, eu perdia o momento exato para as coisas. Um pequeno deslize, e já me sentia fora de órbita.

Tenho pensado muito nisso, desde que soube da minha gravidez. Sabe o Carpe Diem? Tenho adotado pra mim. Nada como uma brusca mudança de trajeto para nos colocar no eixo não é? E quando digo "colocar no eixo", isso pode significar uma localização do tipo: no meio da bagunça, com um monte de perguntas e nenhuma resposta. Mas mesmo assim, no eixo. Sem segurança, sem nenhum controle da situação, mas com sorrisos largos.

Mude o trajeto. Dê tiros no escuro, de vez em quando. Pense menos. Todo mundo tem uma história legal de algo feito no impulso. Parado aí, pensando nas possibilidades de dar certo ou errado, quase não sobrarão histórias pra você contar. Saia por aí uma tarde qualquer e decida fazer algo novo. Pode ser correr sozinho no parque, andar de patins ou simplesmente viajar sem rumo. Faça algo que você nunca fez. Mude o trajeto. E mude sem se avisar. Felicidade se encontra quando a gente é feliz do nada. Quando ninguém nos disse que a gente podia. Quando a gente não fez as contas pra ser.

Eu tô sendo.

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