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Mostrando postagens de Setembro, 2015

Ponto final

A campainha toca. 
De novo. 
E eu sei quem é.
Sento no sofá pra pensar no que fazer, mas cansei das tuas despedidas. Mais do que dizer adeus todas as vezes que você decide que vai, dói ainda mais te receber de volta. É como reabrir uma ferida sabe? É como precisar de curativo sempre à mão. Só que uma hora isso nem cicatriza mais. Afinal, eu nunca sei quando estou me despedindo pela última vez. 
Você sempre volta. E pior, eu deixo.
Faz um desmantelo danado em mim. Bagunça a casa. Toma todas as minhas bebidas. Some com meus CDs e reaparece com cara de quem está voltando pra própria casa. Mas nós sabemos que eu sou só a passagem.
E eu deixo.
Não sei se te aceito de volta por pena de você, ou de mim. Não sei se reabro a porta por saber que não há mais ninguém lá fora te esperando, ou por medo de descobrir que sim. Que tem alguém que te aceita torto. Alguém que implora pra você ficar. Alguém que não dorme, não sai, não pisca e não vive enquanto você não chega. Alguém que simplesmente te e…

Anexos

A segunda-feira merece algo que dispare nosso coração. E por que não, uma história? Hoje vim compartilhar com vocês o último livro que li e fez isso comigo. Dei de cara com Anexos na entrada da livraria, e achei a capa tão fofa que parei pra ler a sinopse. Nunca havia lido nada de Rainbow Rowell, e a sensação de terminar esse romance foi tipo: suspiros. Me sinto a pessoa mais esperta do mundo, quando:
1. encontro um livro do qual nunca ouvi falar antes 2. descubro a história sozinha 3. ela me surpreende.
Ler Anexos foi como devorar um brigadeiro e lamber o granulado pelos cantos da boca. Duas semanas depois, continuo abestalhada. Boas histórias sempre fazem isso comigo! Gostei tanto de Rainbow, que sábado comprei outro livro dela.
Mas vamos à trama.
O ano é 1999. O lugar é a redação de um jornal impresso. (♥) Imagine duas amigas que conversam muito por e-mail.
Beth é a repórter responsável pela crítica de Cinema do The Courier. Enquanto ela sonha com o dia em que seu namorado, o guitarrista C…

Eu sou teu remetente

Anna. Eu sei seu nome, embora você não saiba o meu. 

Ou será que sabe?

Eu sou o cara que vê você entrar todos os dias por este elevador. Quase sempre, apressada. E de cabelos molhados. Seu perfume delicioso fica em mim pelo resto da tarde, e eu amo o cheiro de banho que você tem. Gosto de te ver enrolando o cabelo nos dedos, enquanto espera cartas para protocolar.
Minha Anna.
Queria poder te chamar assim.
Tem tardes que eu simplesmente não consigo parar de olhar você, tão linda nessa saia azul. Antes de ontem você vestiu a blusa ao avesso, desculpe te avisar. É que estou pelo avesso também. Às vezes é difícil resistir a você.
A Anna que não sabe quem eu sou. E não sabe como mexe comigo.

Há dias.
Na semana passada você prendeu o cabelo, e eu amei tua nuca de fora. Estou apaixonado por ela. E pelas tuas sardas também - não paro de imaginá-las debaixo da minha barba. Já falei do teu perfume? Preciso repetir. Você deixa um cheiro realmente tentador quando passa.
Todo dia. 
Sabe Anna? Eu nã…

A playlist do meu casamento

Essa semana terminei de selecionar as fotos que iam para o álbum de casamento. Fico toda mimimi quando volto lá - naquele dia! Hoje vim dividir com vocês uma das playlists mais especiais da minha vida: a playlist do meu casamento.

Se é especial, precisa de uma trilha sonora. Minha festa foi pequenininha, e aconteceu numa casa portuguesa, já devo ter falado por aqui. A cerimônia foi numa pérgola, em meio a um verde iluminado pela noite. Estamos falando de um secret wedding ou mini wedding, tanto faz, são cerimônias pra bem pouquinha gente. Sessenta pessoas, para ser mais exata.
Onze de maio foi todo aconchegante, e embora eu estivesse louca dias antes de entrar no vestido branco, uma coisa que eu queria muito era ~música em harmonia~. Foi aí que encontrei Bethânia, um dos grandes achados da minha peregrinação de noiva! Contratei-a para tocar acordeon. Queria algo bem romântico, mas original ao mesmo tempo. E ela foi tão bacana comigo, que além do acordeon tocou também violino pra mim.…

Remetente

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Todos os dias haviam sido entediantes, até aquela tarde.

Uma quinta-feira de outono sem a menor graça. Eu olhava para a janela, torcendo para que ela desabasse ali. Só o vento invadia a sala, passando por mim. Existe tédio maior do que um dia tranquilo? Pensava eu.

Minha função era receber a carta das pessoas, e enviá-las a seus possíveis destinos. Dentro daquele rabo de cavalo, sem um fio fora do lugar, meus pés mal alcançavam o chão, mas balançavam de preguiça.

Enrolando o cabelo nos dedos, eu pensava nos motivos que levavam as pessoas a escreverem cartas. Quem, passados os anos dois mil, ainda escreve cartas? Pior. Quem tem coragem de enviá-las? Argh, que coisa mais brega! Porque, a plenos iphones, alguém mandaria um envelope embrulhando frases perdidas, quando tem a chance de apertar um único botão?

Bateu três e quinze, quando aquela se tornou uma, entre as milhares de tardes, em que o ócio não bateu na minha saia lápis azul marinho. Mais de vinte e cinco cartas seladas,…

Restos

Tenho uma mania, que só descobri que era mania, depois que me casei. Nada como o casamento para dedurar nossos pequenos deslizes! Sempre deixo as sobras de qualquer que seja o prato. Um sanduíche, por menor que seja (e nunca é o bastante), sempre sobreviverá a fúria da fome de Renata. Um pedaço de pão com queijo que não servirá para mais nada na vida, ou uma fatia de pizza, que não fez mal nenhum a alguém, fatalmente acabará no lixo.
Mas isso só acontece em casa. Se levo porções de comida para o trabalho, não sobra nada. Como até os guardanapos, com o apetite de um pedreiro. (Com todo respeito a esses profissionais de bem).
Copos de sucos e outras bebidas também não escapam de virar restos. Pelo menos dois dedos dos líquidos sempre descem pelo ralo, sem ao menos um sugado meu. Comecei a notar essa característica (porque transtorno é uma palavra muito forte) há pouco tempo, depois de inúmeras reclamações do *marido*. Agora, é ele quem monta meu prato, mas não teve sucesso até agora.

D…

Anônima

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Dizem que a gente precisa fazer algo inusitado para deixar de ser o anônimo de alguém. Eu fiz uma loucura...
Escondida atrás da cortina branca que cobre minha janela, vejo você descer com pressa as escadas do bloco ao lado. Já te espero há uns trinta e cinco minutos, mais ou menos. Tanto te controlo, anonimamente, que sei a hora das tuas chegadas e saídas. Contando teus atrasos, você já deveria estar do lado de fora do hall.

Fecho o olho, e respiro.

É o tempo que você desce, com cabelos molhados de quem saiu do banho. Imagino você no chuveiro e mordo o tecido, sorrindo. Espero que o prédio não tenha outro maníaco, além de mim.
Debaixo de uma jaqueta de couro, tua camisa marca o desnível do peito e a ladeira dos teus braços fica evidente. Acompanho o espetáculo pela fresta da cortina, mas você está tão bonito hoje, que arrisco colocar todo meu rosto pra fora. O perigo vale à pena, afinal, estamos falando de você.
Não é culpa minha. E sou tão sem vergonha que repito essa bestei…

Bips

Marta Bevacqua
Diante deste papel em branco, qualquer coisa onde encosto - dói. Para atravessar a primeira linha desta carta, ainda preciso vestir minhas meias. Sei que enquanto eu não quiser, você não me deixará ir. Então abro a geladeira pra pensar em todas as tuas propostas, e uma a uma me parecem indecentes para o nosso quadro atual. Algo indefinido, que ainda não sei em que pé anda. 
Se é que anda.
Fazem três ou quatro sábados que você adia o que estou fazendo agora. Fecho a porta dos armários, tentando trazer tuas roupas de volta, mas já não tem mais nada teu aqui. Eram, solitárias, uma e meia da madrugada quando notei que você se foi. Achei este papel de bilhete que você deixou debaixo do abajur aceso. Devo preencher sobre o que vem a seguir? Então espero que não seja você. Chega de piadas, rapaz.
Passos as mãos pelo rosto, tentando achar onde estamos afinal. Sem endereços, nem indicações, tento encontrar um indício teu. Olho teu número na agenda e releio todas as 27 mensagens q…

Diário de viagem: Praia de Campina

Três viagens diferentes em uma semana. Essa sou eu! A loucura toda terminou ontem, então estou viva para contar a história. Viajar pra reportagem é legal, mas hoje vim falar do passeio que fiz no feriado prolongado da independência. Foram três dias sem internet, e ao contrário do que pensei (que enlouqueceria), me surpreendi com meu domínio próprio. Chegamos à conclusão que, no lugar certo, a rede que liga o mundo inteiro, é só um aperitivo à mais. 

O destino da vez foi Praia de Campina, até então desconhecida por mim. Na verdade, conheço muito pouco da Paraíba, mas sei que ainda tem muita coisa bonita pra eu ver. Praia de Campina fica localizada numa vila de pescadores em Rio Tinto, litoral norte do Estado. Posso dizer que é um lugarzinho pacato. É tão tranquilo, tãaaaaao tranquilo, que não tem nem vendedor de picolé passeando pela areia da praia. Nada! Na verdade, na localidade só tem uma pousada, um restaurante e uma Assembleia de Deus (que em toda cidade tem, haha). 
Mas falando da …

Hoje te quero sóbrio

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Passo demoradamente este batom, pra te fazer esperar um pouco mais. Um vermelho rubi woo tão intenso, quanto esta noite deve ser. Fazem pelo menos muitos anos que não te vejo depois do nosso adeus. Recebi teu convite há algumas semanas, e já ensaio mentalmente os olhares que roubarei de você.

Desço as escadas em passos lentos, pra te matar no desespero. E me divirto com o que consigo executar tão bem: teu rosto percorrendo cada detalhe do meu vestido preto. E dois lindos olhos verdes, passeando por mim. De cima à baixo. Sem nenhum pudor. E pouco disfarça.

A gente se olha bem de perto, e penso: Puta merda! Fim da linha pra mim.

Espalho meu perfume durante nosso abraço, e sinto sua barba arranhar meu pescoço. Algo está errado, bateu um descompasso aqui também. Me solto do seu fraque, e você me acompanha respeitando cada curva imprópria que meu metro e sessenta, com salto, tem.

- Enfim, você. - Demorei? - pergunto com deboche. - Valeu cada segundo.

Mostro um sorriso no canto do…

Histórias que adocicaram agosto por aqui

Se sua sexta-feira, ao contrário da minha, está tranquila e calma, releia essas historinhas que adocicaram agosto por aqui. Para ler completinho, clique nos títulos! Bom feriadão pra quem já começa a ~vida mansa~ hoje.
Não era minha imaginação
Essa tarde vou entregar essas cartas pessoalmente pra você. Sempre passo despercebido naquele corredor, mas hoje decidi que vou reagir.O barulho dos teus sapatos ecoam no saguão, e ouço teu riso de longe. É hora de contar só pra você os recados que eu sempre quis te dar. Te espero por trás dessa porta, por onde sei que você ainda passa hoje...
Carta aos seus passeios de bicicleta
Você costumava andar de bicicleta todas as tardes. Nunca tive o que reclamar. Sempre voltava com doces e livros pra mim. Nunca empatei com os jogos de futebol, ou com o barzinho aos domingos. Até seus amigos sabiam: Era coisa de você ser assim: tão corpo e alma...
Desembarque no supermercado
A fila do supermercado estava interminável, quando um empurrão lhe cortou o pen…

Décimo drinque

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Parei de contar depois do décimo drinque. Queria que meu fígado não resistisse à tanto, porque com este segundo aqui, já são três horas de atraso. Mexo esse canudo numa contagem regressiva. Em vão. Já tirei meus sapatos há uma hora e, ou meu relógio está adiantado demais, ou até o garçom já percebeu que quem estou esperando não vem. "Quem" não. Você. 

De novo, você.
Quero atravessar a porta deste bar com dignidade, mas falta coragem para pedir a conta. Reservei essa mesa para dois. Pior, para nós dois. Não somos mais viáveis, e preciso admitir antes de pagar os drinques que não imaginei tomar desesperadamente hoje. É só quarta-feira, e esqueço que, para mim, existe o dia seguinte.
Um caso perdido isso aqui. Queria ter previsto que você não viria, como não veio das outras vezes que me fez colocar este mesmo perfume pra te ver. Tento acreditar que seu carro caiu num penhasco, de preferência com você dentro pra vingar todos os seus atrasos anteriores - aqueles que ter…

Use a #hashtag que quiser

Alguém já deve ter dito por aí, e começo a achar que é verdade: A internet dá voz a idiotas! Desde que o mundo é mundo, a praga dos hatters existe, mas depois que estamos todos conectados, esse distúrbio non sense parece que se multiplicou. Nós sabemos de histórias de leitores odiosos e enfurecidos que, por alguns momentos, conseguiram tirar a paz de alguns blogueiros. Não vale relembrar.
Até a coisa estar no nível de "leitores raivosos", tudo fica mais ou menos dentro do aceitável. Mas e quando o hatter é um blogueiro ou um grupo deles? No último final de semana, uma colega foi ~convidada~ a retirar uma hashtag que utilizou em uma foto do instagram. O motivo? Pasmem! A hashtag seria exclusiva de um grupo de blogueiros.
Oi? Onde compra direito de uso de uma hashtag? Quero tutorial! #AjudaLuciano
A coisa poderia ficar só na vergonha alheia. A nossa claro, mas aí esqueceram qualquer tipo de cortesia, enterraram a etiqueta social e desceram ao subsolo. Ontem eu soube que outras…

Devolva minhas chaves

Deitada no chão da sala, tento refazer meu coração com esses pedaços de memória que você deixou pra mim. Algumas garrafas depois daquela, e a conta que não pedi, chega. É sempre assim: tudo que pode ser adiado, vem antes do previsto, incluindo este final. Olho pro teto esperando que ele caia de uma vez em cima de mim. Não aguento olhar esses rachões, e seguir a vida esperando a tragédia acontecer. Foi assim que começamos isso aqui.
Pequenos espaços de sorrisos seus aparecem na nossa estante. Não sei porque chamo de nossa, se nem ao menos você mora aqui. Guardo aquela piada boba que você fez dos meus porta-retratos, e sigo enxugando o rímel que já escorre pelos cabelos. São só quatro da manhã de um dia que se arrasta pra nascer. Quero um sinal de vida seu, mas a caixa postal continua avisando que você está fora do meu alcance. Talvez pra sempre.
Nossa brincadeira virou algo que ainda não sei o que é. Planos para o carnaval, mensagens bonitinhas, beijos de saudade e noites viradas ao a…