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Corra o risco de não ser

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O dia seguinte foi todo perturbado. Anna desenterrou todas as cenas antigas deles dois, e ficou remoendo por dentro uma questão que pra mim, à olhos frios, poderia ser mais simples: Aceitar ou não o convite? Diz a lenda que ele foi muito sacana com ela no passado. Terminou a relação para poder "aproveitar". Não sei se por muita coragem, ou por falta de amor mesmo, ele disse isso à ela. Coitado! Se esperava mais da liberdade, teve o que poucos caras que conseguem a alforria têm: saudade. Ninguém bate na porta do outro para entregar um convite em mãos, com dedicatória escrita à punho, por maldade ou indiferença. Foi a saudade que o levou pelo braço, amiga. Acorda!


Estou morrendo de vontade de ir, mas quero vê-lo sofrer! - Atire a primeira pedra quem não pensaria exatamente como Anna! Não sei se porque ando melosa demais ultimamente, levantei a bandeira do "Carpe Diem"! O máximo que aconteceria era Anna confirmar o que já repetia para si mesma: ele é mesmo um canalha. 

Sem cartas, nem tarôs, na vida real não dá para prever o final da cantiga. Acredite, eu já estive dos dois lados! Um segundo de atraso e ele poderia estar dançando uma valsa sem graça com outra. Ou pode ter ficado a noite toda esperando ela chegar. E ficou! Ela não foi. Assumiu o orgulho de peito aberto, colocou três peças de roupa na mochila e viajou. Alguém com o coração calejado de chorar está sempre disposto a fugir. É a escolha mais fácil.

Como prever que a gente não vai se machucar, e que não vamos precisar recolher novamente nossos cacos espalhados pelo chão? Não existem regras! Uma ferida trincada no peito é o resultado sincero de um risco que corremos. Pode doer de novo, mas é de verdade. Quando deixamos o jogo de lado, não há fraudes no placar. 

Eu colocaria o vestido mais bonito da loja e iria vê-lo, se o meu coração pedisse. Mesmo que isso não seja garantia de um final feliz, se esconder debaixo de um pijama não resolve a equação. Amar é complicado! Estamos sempre querendo vingança por tudo que nos foi tirado. Mas ele tentou, não dá pra desmerecê-lo. Não Anna. Isso não é pisar na dignidade e deixar o amor próprio de lado, isso é ouvir o coração - mesmo que na maioria das vezes ele fale besteiras. Ou como diz o ditado, isso é dançar conforme a música. E você já desceu até o chão (♫) por caras piores, assuma!

Vocês podem ter a chance de um novo reencontro, em uma rua qualquer. Pode haver outro abraço com arrepio de pele, mas o beijo daquela valsa, minha amiga, você perdeu. Aquele momento que ia deixar você sem dormir lembrando o olhar dele esperando por você, ou daquele sorriso aberto ao pé do ouvido, passou. Era seu. Mas você não estava lá. Lutar pelo amor que a gente sente sempre vai parecer tolice, mas querer reviver uma sensação é só a prova de que o coração ainda bate, e o contrário disso é perigoso.

Aliás, uma despedida também pode ser uma lembrança boa. E se não for? Corra o risco de não ser!

-

*Anna é fictícia, mas a história é real.

Comentários

  1. Que texto bom, Renata :O
    Eu amo textos assim, arrasou! hehe
    beijãaao!!

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    Respostas
    1. Ô Gabssss, que linda e fofa. Tu sempre aqui ♥

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  2. Lindo texto, linda história.
    eu sou daquelas que prefiro não correr o risco, sabe!?!

    bjoesss

    www.papuff.com

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  3. Obrigada Mari. Que linda! (Todas nós preferimos não correr o risco).

    Beijo

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