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A crise do cometa

Tumblr: My name is Caroline

Ouvi dizer que um cometa de nome bem difícil vai passar pertinho da Terra amanhã. Pertinho é charme, são 21 milhões de quilômetros de distância da Terra, o menor valor de distância já registrado na história. Não sei em que isso muda minha vida, ou a sua (Sou de humanas). O fato é que coisas estão girando o tempo todo. Coisas estão ficando mais perto umas das outras, ou se afastando rapidamente. O lugar onde estamos hoje é consequência de coisas que aconteceram à nós. Segunda lei de Newton, amor: a força aplicada em um corpo tem total relação com a mudança na velocidade sofrida por ele. Tô parecendo até intelectual de exatas falando assim, mas foi um belo googão. ♥
Isso significa algo bem importante: estamos vivos. Piscamos os olhos, coçamos a mão e "me belisca pra eu ver que eu não tô sonhando". Ação e reação. A gente funciona. Não somos passivos. Somos uma massa grande de neurônios, pele, sistemas e coração. Ah, esse danado desse coração. Às vezes…
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Quando vai sobrar um pouquinho de você pra mim?

Hoje eu tive um daqueles típicos dias de cão. Se você nunca teve um, vou te explicar como funciona. Primeiramente você acorda, e pode deixar que o universo cuida do resto. A noite já foi mal dormida mesmo, então o que vem a seguir são só aperitivos. E vou te dizer mais uma coisa: dormir numa cama que você acha que nem é mais sua é a pior experiência que existe. Você acorda mais cansado do que quando foi dormir, é preciso pontuar. A companhia também conta muito. E o que aconteceu antes também. Desculpa o arrodeio todo, mas o dia de cão começa vinte e quatro horas antes, ou na noite anterior, bem antes de dormir.
Começa comigo, acordando cedo em pleno feriado para cobrir um plantão policial daqueles. (rebeliões. meninos tocando fogo em colchão, tentando matar o colega da cela vizinha, e eu imaginando como o mundo pode ser assim. daí tem explosão a banco, arrombamento de cofre, perseguição pelo meio do mato e tudo que um repórter de cidades tem direito). O plantão acaba, e quero aprovei…

Ninguém merece um amor mais ou menos. Nem eu, que já tenho um.

Hoje é mais um daqueles dias que você sai e eu não sei pra onde. Sem recado no guardanapo, sem mensagem na caixa postal. É uma daquelas longas e arrastadas horas em que você vai e eu fico. Sozinha, para variar. E nem parece que mora mais alguém aqui comigo. É como se eu estivesse dividindo o apartamento com alguém que às vezes aparece, mas que paga em dia a sua parte, pelo menos. Tipo a Priscila que morou comigo no 310. Você é a minha nova Priscila.

(só que a gente divide um status no facebook).

Ainda pergunto pra mim mesma porque eu ainda fico. Porque eu não sumo sem avisar também. Porque eu não pago na mesma moeda. Você pagaria? Aliás, não custa perguntar: o que aconteceria se fosse eu, aí desse lado em que você está agora? Chegando quando você já estivesse dormindo, saindo pra almoçar e voltando às dez da noite, curtindo noites, domingos e feriados com pessoas que você nem sabe quem são - mas que aparentemente me fazem mais felizes do que você.

Fica a interrogação.

Ontem quando voc…

O amor cabe em qualquer fachada

Oi amor. Ainda posso te chamar assim? É a força do hábito, pois é. Algumas coisas saem da gente, outras não. E hoje eu vim falar sobre você que está saindo da minha vida. Aos poucos. Dia após dia estamos esvaziando um lado do armário e do coração. É tão natural não é? Acontece nas melhores famílias. Vamos pensar que sim. Quem precisa morrer por isso? É a vida, afinal, com seus embarques e despedidas, como sempre. Nem me surpreendo mais. E é isso que me deixa mais surpresa nessa história toda. Essa injeção de "tudo bem" que digo pra mim mesma a cada minuto em que a gente se distancia mais.
Desculpa te incomodar. Sei que você deve estar fazendo algo importante agora. Pelo menos não está fazendo do outro lado do sofá. Vamos combinar: a pior ausência vem com uma presença morta e enfeitada do lado. Alguém que finge estar, mas nunca aparece. E desculpa a honestidade, mas essa é a última versão de você. Um apartamento dividido, boletos do condomínio para pagar, a parede da sala pa…

Há quem diga que não vai dar certo

Eu vivo sumindo, percebeu? Acho que não. Você também faz isso, e faz muito bem. Juntos ocupamos um espaço imenso chamado: o vazio do coração do outro. Somos a capa de um livro esquecido nos fundos empoeirados da estante daquela sala que ninguém entra. E graças a Deus que não. Difícil explicar a bagunça que a gente é. Protagonistas figurantes daquele amor totalmente sem chances de vingar, para quem insisto em voltar de tempos em tempos. E assim comemoramos uns mil e tantos dias de vais, vens, vírgulas e fins. 
Você bate na porta, eu abro. E o resto das nossas linhas, a gente escreve em silêncio, quase sempre sem ninguém saber. Eu vivo sumindo, e acho que tenho medo de que um dia eu me encontre em alguma esquina de você. Quem me vê pelos cantos, pedindo mais uma dose de qualquer coisa com álcool pensa que ando sem ter para quem voltar. Acontece que eu sempre tenho você pra voltar. E sempre volto quando canso de mim. Quando canso de voar. Quando canso de fingir de ser só. E você me tem …

Estou embarcando sem data pra voltar

Minha caixa de entrada está cheia. Trinta e oito mensagens, ao total. Excesso de você. Hoje é dia de esvaziar. Já faz dias que queria te dizer: Parte das suas tardias declarações de amor terão, enfim, um destino final, assim como o pouco que sobrou do nosso amor. Você me escreveu mil e uma palavras que eu nunca li. Chegaram tarde demais. Chegaram quando eu não precisava mais ouvir. Quando eu já dizia para mim mesma tudo que você não me disse enquanto eu estava abraçada a você.
Até chorei com aquele poema, em que você contou há quantas horas estava sem dormir pensando em mim. Tarde demais, me desculpe dizer. E espero que passe. Assim como passou pra mim. Tivemos tanto tempo pra nos declarar e amar, e só agora, depois de um cartão de embarque e das minhas malas esperando na garagem, você vem falar de amor. Aquela cena boba de novela em que alguém deixa o avião decolar para voltar para um amor repetido não vai acontecer hoje.
Estou escolhendo ir. E estou porque já fiquei demais. Porque …

Não achei um título pra você

Acordei como um papel em branco perdido em milhões de gavetas. Não são gavetas, mas é como se fossem. Estou entre duas cobertas e um lençol de elástico, que se soltou da cama no meio da noite. Deve ser um sinal de que algo está onde não deveria. Um ponto fora da curva. Uma curva fora do ponto. Final, por sinal. E espero que não estejamos falando de nós. 
Sinto que falta algum pedaço de história ser escrito em mim. Em meio a tantas cicatrizes, não reconheço mais todas as marcas de ferida que sobraram aqui. E olha que são muitas!
Ontem à noite você não disse nada. Quase nunca você diz. É como se a vida estivesse gritando uma senha no balcão e a gente estivesse dormindo na sala de espera. Estar: um verbo do tamanho do mundo, que quase não reconheço mais. Presença às vezes significa mais ausência do que o contrário. Queria enrolar seus cabelos enquanto você dorme, mas eu sempre pego no sono primeiro. Será que algum dia vamos, enfim, nos esbarrar na esquina da nossa sala? Quem sabe tomar …