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Nunca foi sorte

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Estive pensando no quão maravilhosa seria a vida que as pessoas que nada sabem sobre nós acham que temos. Ontem eu vim pensando sobre isso, e sobre o quanto as nossas conquistas são relativizadas. Estava em uma aula dia desses, e ouvi de alguém que "pelo menos você tem um carro". Mas não é sobre o carro, ou sobre qualquer outra coisa que resolvi escrever. É sobre as pessoas não entenderem que qualquer pequena coisa que nós temos, nós temos porque corremos MUITO atrás.
Lembro de um tempo que eu não tinha tempo pra nada (tipo hoje). Trabalho pela manhã, estágio à tarde, faculdade à noite e freela aos fins de semana. Que vida era aquela? Pois eu vos digo: foi a vida que deu entrada à "pelo menos você tem um carro". Não posso repetir a famosa legenda "tá pago", porque nem está. Mas vê? Como a gente nunca sabe a história por trás das coisas que os outros têm? Como a gente se importa mais com o resultado do que com o processo.
Eu tinha a mania de fica…
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Talvez as noites tenham sido feitas pra pensar, não pra dormir

Leia ouvindo:


Minhas roupas em uma mala pequena.

Uma caixa com alguns livros.

As últimas peças de roupa que ficaram no seu apartamento.

Esta é a última cena do nosso amor: eu fechando a porta da sua casa e saindo de vez da sua vida. A bagagem quase não pesa. Eu não tenho muita coisa além de mim mesmo, além das lembranças que fizemos na sua sala. Eu sempre soube que a gente não era pra ser. Tentei te encaixar à força na minha vida, mas sinto em te dizer: você não é do meu tamanho. Somos uma poesia embaraçada cheia de versos que não se completam. Um romance mal acabado. O tiro de misericórdia em um coração que  já respira por aparelhos.

Sigo minha vida, faço minhas coisas, deixo o tempo passar. Assim, bem natural, como se nada tivesse acontecido ontem. Como se os planos que fizemos juntos no tapete da sua sala nunca tivessem existido. E acho que não existiram mesmo né? São 02h41 de uma madrugada qualquer. Minhas células que deveriam estar ficando novinhas em folha, estão aqui, morrendo …

A crise do cometa

Tumblr: My name is Caroline

Ouvi dizer que um cometa de nome bem difícil vai passar pertinho da Terra amanhã. Pertinho é charme, são 21 milhões de quilômetros de distância da Terra, o menor valor de distância já registrado na história. Não sei em que isso muda minha vida, ou a sua (Sou de humanas). O fato é que coisas estão girando o tempo todo. Coisas estão ficando mais perto umas das outras, ou se afastando rapidamente. O lugar onde estamos hoje é consequência de coisas que aconteceram à nós. Segunda lei de Newton, amor: a força aplicada em um corpo tem total relação com a mudança na velocidade sofrida por ele. Tô parecendo até intelectual de exatas falando assim, mas foi um belo googão. ♥
Isso significa algo bem importante: estamos vivos. Piscamos os olhos, coçamos a mão e "me belisca pra eu ver que eu não tô sonhando". Ação e reação. A gente funciona. Não somos passivos. Somos uma massa grande de neurônios, pele, sistemas e coração. Ah, esse danado desse coração. Às vezes…

Quando vai sobrar um pouquinho de você pra mim?

Hoje eu tive um daqueles típicos dias de cão. Se você nunca teve um, vou te explicar como funciona. Primeiramente você acorda, e pode deixar que o universo cuida do resto. A noite já foi mal dormida mesmo, então o que vem a seguir são só aperitivos. E vou te dizer mais uma coisa: dormir numa cama que você acha que nem é mais sua é a pior experiência que existe. Você acorda mais cansado do que quando foi dormir, é preciso pontuar. A companhia também conta muito. E o que aconteceu antes também. Desculpa o arrodeio todo, mas o dia de cão começa vinte e quatro horas antes, ou na noite anterior, bem antes de dormir.
Começa comigo, acordando cedo em pleno feriado para cobrir um plantão policial daqueles. (rebeliões. meninos tocando fogo em colchão, tentando matar o colega da cela vizinha, e eu imaginando como o mundo pode ser assim. daí tem explosão a banco, arrombamento de cofre, perseguição pelo meio do mato e tudo que um repórter de cidades tem direito). O plantão acaba, e quero aprovei…

Ninguém merece um amor mais ou menos. Nem eu, que já tenho um.

Hoje é mais um daqueles dias que você sai e eu não sei pra onde. Sem recado no guardanapo, sem mensagem na caixa postal. É uma daquelas longas e arrastadas horas em que você vai e eu fico. Sozinha, para variar. E nem parece que mora mais alguém aqui comigo. É como se eu estivesse dividindo o apartamento com alguém que às vezes aparece, mas que paga em dia a sua parte, pelo menos. Tipo a Priscila que morou comigo no 310. Você é a minha nova Priscila.

(só que a gente divide um status no facebook).

Ainda pergunto pra mim mesma porque eu ainda fico. Porque eu não sumo sem avisar também. Porque eu não pago na mesma moeda. Você pagaria? Aliás, não custa perguntar: o que aconteceria se fosse eu, aí desse lado em que você está agora? Chegando quando você já estivesse dormindo, saindo pra almoçar e voltando às dez da noite, curtindo noites, domingos e feriados com pessoas que você nem sabe quem são - mas que aparentemente me fazem mais felizes do que você.

Fica a interrogação.

Ontem quando voc…

O amor cabe em qualquer fachada

Oi amor. Ainda posso te chamar assim? É a força do hábito, pois é. Algumas coisas saem da gente, outras não. E hoje eu vim falar sobre você que está saindo da minha vida. Aos poucos. Dia após dia estamos esvaziando um lado do armário e do coração. É tão natural não é? Acontece nas melhores famílias. Vamos pensar que sim. Quem precisa morrer por isso? É a vida, afinal, com seus embarques e despedidas, como sempre. Nem me surpreendo mais. E é isso que me deixa mais surpresa nessa história toda. Essa injeção de "tudo bem" que digo pra mim mesma a cada minuto em que a gente se distancia mais.
Desculpa te incomodar. Sei que você deve estar fazendo algo importante agora. Pelo menos não está fazendo do outro lado do sofá. Vamos combinar: a pior ausência vem com uma presença morta e enfeitada do lado. Alguém que finge estar, mas nunca aparece. E desculpa a honestidade, mas essa é a última versão de você. Um apartamento dividido, boletos do condomínio para pagar, a parede da sala pa…

Há quem diga que não vai dar certo

Eu vivo sumindo, percebeu? Acho que não. Você também faz isso, e faz muito bem. Juntos ocupamos um espaço imenso chamado: o vazio do coração do outro. Somos a capa de um livro esquecido nos fundos empoeirados da estante daquela sala que ninguém entra. E graças a Deus que não. Difícil explicar a bagunça que a gente é. Protagonistas figurantes daquele amor totalmente sem chances de vingar, para quem insisto em voltar de tempos em tempos. E assim comemoramos uns mil e tantos dias de vais, vens, vírgulas e fins. 
Você bate na porta, eu abro. E o resto das nossas linhas, a gente escreve em silêncio, quase sempre sem ninguém saber. Eu vivo sumindo, e acho que tenho medo de que um dia eu me encontre em alguma esquina de você. Quem me vê pelos cantos, pedindo mais uma dose de qualquer coisa com álcool pensa que ando sem ter para quem voltar. Acontece que eu sempre tenho você pra voltar. E sempre volto quando canso de mim. Quando canso de voar. Quando canso de fingir de ser só. E você me tem …